PLANO DE TRABALHO Nº13
Representação de Conceitos por Imagens
Pretende-se a abordagem no plano da ilustração digital, partindo da reflexão teórica sobre 3 conceitos dados (Paixão, Caos, Infinito) procurando fazer a representação de cada um, com recurso ao menor número de elementos possível.
1-Podem recorrer ao desenho e à fotografia, em conjunto ou isoladamente.
2-Corel Draw ou Photoshop
3-Formato à escolha do(a) aluno(a)
Entrega: 11de Abril 2008
Conceitos:
PAIXÃO
Alguém diz que morre. Alguém suporta o peso do mundo nos ombros… explodem as dores e infâmias da humanidade na alma. Alguém rejubila no sofrimento. Alguém pede e anuncia a própria morte por todos menos por si. Alguém cerra os punhos e grita, mas já não tem voz. Alguém sangra os olhos em lágrimas, o ventre em suor. Alguém sente a explosão interior do desejo de si próprio reflectido nos olhos, nos corpos e nas almas dos inocentes espectadores. Alguém diz que morre… mãos e pés atados, corpo tenso. Depois exangue. Alguém morre pelo perdão de si próprio ou dos outros. Alguém desiste de si. Ninguém é inocente e a procissão segue a marcha, Gólgota acima, até que o sangue e o suor brilhem ao sol, carrasco e vítima cúmplices, corpos envolvidos, misturados, confundidos.No fim, os líquidos derramados brilham ao sol, misturam-se com a areia, escondem-se nas sombras. Tudo recomeça.
CAOS
As borboletas batem as asas livremente, mesmo que saibam dos terramotos no Japão. As borboletas batem as asas porque não sabem o que poderia ser pior do que um terramoto no Japão. Nem querem descobrir. Dentro dos casulos, alimentando as mutações que as libertam, as larvas sonham com terramotos, o vento nas árvores, a migração dos povos e dos gafanhotos, a morte das estrelas e o “spin” das suas próprias partículas. Além e aquém da sua imprópria dimensão, as larvas sentem-se em consonância com o universo, percebem as mecânicas quântica e clássica, unificam-nas só pela graça de o fazerem e, no fim da sua própria mutação, esquecem tudo, absorvidas pela necessidade metafísica de baterem as asas e, nesse movimento, sustentarem o universo.Na superfície da pele, temos o mapa dos universos. Na ondulação do cabelo, mapeamos o movimento das estrelas e das bactérias. O caos é a falta da escala e da dimensão que nos permitiria compreender a nossa própria loucura e divindade. O caos é isto aqui, entre os dedos, dentro da pele, espalhado pelas estrelas. É a ordem que não é nossa. A ordem da qual somos parte actuante.
INFINITO
Para lá deste sítio, aqui, há um outro sítio, ali. Entre aqui e ali multiplicam-se as paragens, as descobertas. No caminho, ali é só uma direcção e aqui, uma memória. E nenhum dos caminhos pode ser refeito, reconstruído. Resta-nos caminhar, à medida que descobrimos que ali é sempre muito mais distante do que pensamos, mesmo quando nos continuamos a afastar de aqui. E estes pontos, onde nos perdemos, no meio, onde paramos a ponderar estas distâncias, deixam de ser sítios como aqui e ali e passam a ser escalas, entre aqui e ali. Quando a memória ou a visão nos falham, tentamos em vão combater a angústia de saber se aqui e ali alguma vez existiram. Quando regressam, iludimo-nos com um oásis ali e com um sonho aqui, negando terminantemente a possibilidade de que esta escala possa ser a última. Simplesmente porque vemos a seguinte e a anterior e há o instinto que nos diz que o movimento é na direcção de um horizonte sonhado. Talvez se fechássemos os olhos pudéssemos descansar, limitados no tempo e no espaço do ponto que ocupamos. Talvez. Podíamos também descobrir apenas que dentro de cada um de nós há uma imensidade de aquis e alis e caminhos para serem percorridos. E tudo é escala, tudo é temporário, tudo depende da profundidade do olhar… por isso teimamos em estar sempre em movimento. Por isso "corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado" (Os Construtores de Impérios, Boris Vian).
segunda-feira, 31 de março de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário